Como a Arte ajuda o nosso cérebro e saúde mental?

Como a arte ajuda o cérebro?

Conseguir manter o bem-estar mental tem sido um desafio durante os recentes desafios da pandemia. O Dia Mundial da Saúde Mental celebra-se neste domingo, dia 10 de outubro. Esta data desperta várias questões: como a arte ajuda o cérebro? Durante o coronavírus, muitas foram as pessoas que se voltaram para o meio artístico, como uma forma de saída criativa ou uma oportunidade de expressão. Atualmente, temos evidências suficientes que apoiam a priorização das artes nas nossas vidas domésticas, bem como nos sistemas de educação. Descubra neste artigo como a arte tem vindo ajudar o Humano em termos de saúde mental. 


Capacidade de gerir o bem-estar mental

A relação entre as artes e a saúde mental encontra-se estabelecida de forma intensa no campo da arte-terapia. Este meio aplica técnicas baseadas na pintura, dança e teatro, para intervencionar questões de saúde mental, como ansiedade e depressão. Também há outras evidências que afirmam que a arte pode ser usada em contextos não terapêuticos para promover a saúde mental. O teatro e as artes visuais são exemplos de práticas que podem ser aplicadas para desenvolver a capacidade de gerir o bem-estar mental e emocional. 

 

Salvador Dalí | P55 Magazine | P55 - A Plataforma da Arte

Salvador Dalí

 

Neuroestética

Com recentes avanços nas áreas das ciências biológicas, cognitivas e neurológicas, existem novas formas de evidência como a arte afeta o cérebro. Por exemplo, os investigadores usaram o biofeedback para estudar os efeitos da arte visual nos circuitos neurais e neuroendócrinos, encontrando evidências biológicas de que a arte visual promove saúde, bem-estar e respostas adaptativas ao stress. Em outro estudo, neurocientistas cognitivos descobriram que criar arte reduz os níveis de cortisol (stress) e induz estados mentais mais positivos. Estes estudos são parte de um novo campo de pesquisa, denominado neuroestética: o estudo científico das bases neurobiológicas das artes. A neuroestética usa imagens cerebrais, tecnologia de ondas cerebrais e biofeedback para reunir evidências científicas de como os Humanos respondem à arte. Assim, há evidências físicas e científicas de que a arte envolve a mente de novas formas, concedendo emoções saudáveis que nos fazem sentir bem.


Atenção plena

A arte foi considerada uma ferramenta eficaz para ajudar a manter a concentração. Especificamente, descobriu-se que o envolvimento com as arte visuais ativa diferentes partes do cérebro, além daquelas sobrecarregadas pelo pensamento lógico e linear; e outro estudo descobriu que a arte visual ativa áreas visuais distintas e específicas do cérebro. Assim, são criadas as condições para a atenção plena, envolvendo diferentes partes do cérebro por meio da mudança consciente dos estados mentais. As descobertas neuroestéticas sugerem que esta não é uma experiência exclusiva dos artistas: é simplesmente inexplorada por aqueles que não têm experiências artísticas. As pesquisas mostram que a Arte pode ser usada para criar uma mudança cognitiva única num estado de espírito holístico chamado fluxo. Estes estudos identificaram que a relação entre a arte, o fluxo e a saúde mental, levam à atenção plena, à criatividade e até mesmo à cognição aprimorada.

 

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René Magritte


Benefícios na educação

Atualmente, tem aumentado os estudos publicados sobre os benefícios da arte na educação, referindo o aumento do desempenho académico e o desenvolvimento do pensamento inovador. Contudo, esta área continua a ser marginalizada na educação. Serão os dados obtidos nos estudos da neuroestética suficientes para haver uma priorização das artes na educação? Se esse for o caso, podemos estar perto de fornecer as ferramentas certas para ajudar os jovens com crises de saúde mental.


Três dicas para atividades

Cometa erros: tente algo novo e esteja disposto a cometer erros para aprender. A maioria dos artistas pratica durante anos antes de ser capaz de reproduzir algo realista, e estão dispostos a cometer muitos erros ao longo do caminho, pois o cérebro recompensa o aprendizado.


Reutilizar e repetir: experimente elaborar peças com materiais reutilizáveis que já tenha em casa ou produtos que deem para moldar várias vezes como plasticina. Deste modo, não existe pressão para fazer algo que tenha uma boa aparência. Se realmente precisar manter uma cópia, pode sempre tirar uma foto rápida do trabalho.


Limite de linguagem: Tente não falar quando estiver a produzir as suas criações. Se estiver a ouvir música, escolha algo sem letra. Dê um tempo e entregue-se com calma.


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